Construo-me



Escorro por esse blog tentando encontrar algo.
Não queria q isso aqui fosse sobre minha vida, nem mesmo dar meu nome
Só queria postar alguns contos divertidos sem sentidos.

Mas cadê a inspiração que foge quando a vida se acha cheia de urgências?
Da profissão do coração do corpo da rotina...
Alguns separam isso muito bem, como se tivessem gavetas no peito...
ou na cabeça?
Pra mim se embaralha, se estrambulha ( existe esta palavra?), se confundo td aqui.
Dentro de um lugar que não entende o que é temporalidade, não entende que nesse chão existem prioridades.
Não entende e por isso tropeça tropeça se enruga com as ansiedades.
Mas também já aprendeu a se construir em meio a isso.


imagem: Esher

Indo




Estou indo lá para aquele lugar q é meu conforto desde quando eu me vejo me vendo
Não faço as malas deixo pro ultimo minuto para dar o gosto de um impulso, como quando eu era adolescente, de repente olhava pro céu fazia a mala feliz correndo sem dar satisfações a escola, mãe, namorado..gostava de ligar e dizer: Ei, me deu a loca to aqui olhando o mar...
Não faço as malas preparo a mente pra essa fuga programada
Sentir outros cheiros a pele com outros contatos outras cores...
Se livrar dos pensamentos obsessivos apenas observar td com um passo mais pro lado.
Não faço as malas, não faço planos apenas vou buscando sentir.
E por isso talvez por aqui as coisas fiquem meio no ar...
porque parei de dizer...
Parei pra observar!

Ano novo

Lá pelas tantas ela vira e fala:
- Meu, tem uma coisa que eu quero te dar já faz um tempo.

E vasculha no meio de sua bolsa até encontrar um passe de metro meio amassado, ela olha para ele, sorri com o seu rosto meio vidrado da madrugada de ano novo e me entrega. Eu olho meio incrédula “será isso?” Estou na praia, meus pés estão cheio de areia e minha cabeça um pouco zonza, vendo sua empolgação ao me dar singular presente a abraço e guardo o passe na minha bolsinha. Olhando para os bêbados que se moviam pelas areias não tive como não pensar sobre o ano que viria. Que pressagio teria aquele presente naquela hora, seria mais um ano de tantos acontecimentos insólitos que não teriam explicações? Então volto os ouvidos pra o som do violão e da cantoria empolgada e desafinada.

Dias depois estou na rodoviária, espero o ônibus que me levará de volta a rotina, tudo esta normal e tranqüilo, só o corpo um pouco cansado, tão diferente dos outros anos em que nem pensaria estar voltando pra casa tão cedo, e na verdade, nunca me lembro das minhas voltas. Espero o ônibus, de pé na plataforma com um livro que peguei emprestado, o livro traz alguns contos de ciganos é sempre alguma historia de como um cigano com sua esperteza soube aproveitar as oportunidades do destino e se dar bem de alguma maneira. Uso a minha passagem para marcar as páginas. Algumas pessoas esperam impacientes os ônibus, outras parecem estar com o pensamento longe talvez projetando sua chegada ao destino. O ônibus chega, eu apenas observo, espero o tumulto inicial se acalmar e entro na pequena fila que resta, sinto alguém roçando em minha mochila não presto muita atenção mas uma hora resolvo virar e vejo uma pequena velhinha, ela esta toda de azul com um pacote de salgadinhos na mão, eu sorrio pra ela de forma cúmplice, eu gosto de velhinhos, ela retribui o sorriso mostrando sua boca desdentada e suas gengivas inflamadas. Entro no ônibus.

O ônibus estava prestes a sair, quando o motorista entra com um objeto cor de rosa nas mãos perguntando quem perdeu. Era a minha carteira. Foi uma velhinha que encontrou - ele disse. Agradeço, achando estranho porque eu usei a carteira apenas pra comprar a passagem, depois não peguei mais nela, e o guichê da rodoviária era do outro lado, não tinha como eu ter perdido ela ali perto do ônibus... abro a carteira não tem mais nada alem dos meus documentos. Puta! A velinha me roubou??
Antes de pensar: Como vou voltar pra casa??! Lembro do inusitado presente na noite do ano novo.

È, esse promete ser mais um ano sem muitas explicações.


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(esse fato foi q deu origem ao conto q deu a idéia do blog...)

Beijo Periférico



Nesse momento, bom é ter discernimento
pra entender o que é sim, não, o que é perfeito,
você no caso, meu caso não é perdido.
Pelo contrário, eu desafio

Se for divertida, amizade colorida, e se a história
é dolorida, eu não.
Perfeição não leva a
nada se maltrata o coração.

Agradeço e me pergunto pelo avesso, pra
entender o que é bom, mal, quem vem
primeiro.
Quem se atira ou tira o corpo fora.
Quem se dispara não se dissipa.

Se for desastrada, distraída, embaraçada,
se a história está errada, eu não me arrisco.
Se for desarmada, natural, envenenada,
uma história improvisada, eu me arrisco.
Eu me arrisco

Se for divertida, amizade colorida, e se a história
é dolorida, eu não.
Perfeição não leva a
nada se maltrata o coração.
Se for desastrada, distraída, embaraçada,
se a história está errada, eu não me arrisco.

Se for desarmada, natural, envenenada,
uma história improvisada, eu me arrisco.
Eu me arrisco
no seu beijo periférico.


Composição: Nô Stopa
Foto David Xavier

CORPOS






A porta fora batida com força, junto do estrondo que adentrava o ambiente uma explosão de emoção que nem se sabia o que era. Como sentir algo que fora inventado? Como questionar algo que não existe?


Batidas na porta. Uma entrada displicente de quem não espera a resposta.
Braços são puxados, tocados, algumas palavras são ditas repetidas e corpos são amolecidos.
Nada era acreditado, não havia como acreditar nem quem ouvia nem quem dizia. Somente a cama acostumada àqueles suores entendia que por ser mais fácil, a razão era vencida.
Como re-escrever estes acontecimentos sempre escritos, e como banalizar estes constantes acontecidos?
E o casal bíblico que nada sabiam que tudo queriam... Sem passados emparaísados na realidade que lhes fora dada. Eram os únicos e estavam lá. Enfim entenderam a genesia e... geraram os corpos.

Corpos que procuram corpos, corpos que se buscam e se unem, se unem e se dividem, se multiplicam se separam, se multiplicam de novo, se separam antes de se multiplicar, se impedem de se multiplicar, se separam pois se multiplicaram, corpos sempre corpos...Seres que se perpetuam em duplas como seres unos, como coisas corpos em necessidades.

Aah! Estes que agora mais do que nunca cultuados, cultivados, explorados regados às necessidades corpóreas, necessidades para conseguir mais contatos com outros corpos, com status, com barrigas, com dinheiros, com bundas brancas queimadas peludas celulitadas.




As palavras são acreditadas, os movimentos são esperados, ensaiados, e o suor da tarefa realizada vem como suspiro do esforço e satisfação, mas a avidez e gana de consumir ocorrem muitas vezes antes deste suspiro. E ai, mais uma vez está perdido o sentido do suspiro.

foto: 1- Francesca Woodman
2- ??

O cálculo





Pássaro urbano
por ai ciscando restos de cidade
o gato observa de sua janela com grades, que não o prendem
o olho flagra.

Espera, espreita, seu corpo é sua mente, sua mente tem um foco
inveja, pensa que é livre,
mas é a pomba que é dona do chão e dos ares

O gato é filhote, a pomba é vivida,
Um olho analisa
A pomba voa, o gato se lambe,
o olho já fez seu click e caminha.

Foto: David Xavier

Um caso de propriedade

Estudando para minha pesquisa um caso me bateu a porta.


Moradores de uma comunidade da praia do Maceió, município de Itapipoca (CE), acampam numa faixa de terra em frente ao mar, com bandeiras do MST, estes já possuem suas terras demarcadas, mas a questão ainda é territorial. Desde o ano de 2002 os moradores buscam defender os 16 quilômetros de areia de frente para o mar em cenário paradisíaco. Neste local se pretende construir um grande resort turístico. Diversos conflitos ocorreram então, tanto no plano jurídico como no plano físico quando no início deste ano os moradores foram agredidos e tiveram seu acampamento destruído pela policia, a resistência continua e outro acampamento foi montado. Os argumentos dos moradores são: Que se este condomínio lá se instalasse dificultando assim o acesso dos moradores a praia estes perderiam sua cultura.

Pesquisando mais sobre o assunto me deparei com diversos comentários do tipo: Esses vagabundos, não fazem nada por isso querem a praia pra ficar se divertindo.
Sem entrar na obvia discussão de que a faixa de terra requerida para fazer este condomínio foi adquirida de forma obscura, porque até então para os moradores esta pedaço de areia era de uso público, ninguém reivindicou este pedaço quando suas áreas foram demarcadas em 1984.

O que me surpreende é, ver nos debates sobre o assunto pessoas defendendo um empreendimento desse porte, que ira privilegiar uma minoria, em detrimento de uma população inteira.
Não só os 800 moradores da comunidade que lá habitam há várias gerações na qual desenvolveram uma relação com a praia não apenas de lazer como em muitas reportagens se quis fazer parecer. Mas de sobrevivência, o sustento deles vem do mar e da praia, e nesta relação com a praia esta toda uma interação simbólica e cultural.
Serão também prejudicados todo o resto de turistas que visitam o local que terão sua faixa de areia diminuída pois o condomínio é exclusivo.

Conforme tem acontecido em diversos casos do litoral brasileiro, quando chega os condomínios de luxo para alguns ostentarem seu lazer. Os moradores perdem sua fonte de renda e subsistencia e se veêm obrigados a serem empregados escravos dos que se divertem, suas filhas estão a um passo da prostituição, e toda uma relação de marginalização é criada em volta dos muros do luxo.

Mas porque as pessoas continuam defendendo tais empreendimentos?

Porque não conseguem pensar alem da defesa de sua propriedade, para eles a relação é direta: eu tenho a minha casinha a minha terrinha, se permitir que outras pessoas tirem o direito daquela ter a dele, a minha propriedade também esta em risco.
Eles não refletem que mesmo a propriedade dos indivíduos que estão defendendo pode muitas vezes ter sido adquirida de forma escusa, com extorsões e expropriação. È por isso que contestam tão ferozmente contra o MST também.
Estão nessa lógica de que, é só eu me esforçar um pouco que posso pagar uma estadia naquele resort de luxo.
Defendem desigualdade por medo de perderem o que tem.
Vai entender


Mais sobre isso nos blogs
http://www.revolutas.net/index.php?INTEGRA=991
http://www.franklinjorge.com/blog/2009/05/12/mst-nos-vamos-invadir-sua-praia/
http://editoraderiva.multiply.com/journal/item/71/71

Mudar

Vou mudar um pouco o formato desse blog.
estou em um momento sem criatividade pra escrever contos...
de agora em diante vou me dedicar a ficar criticando as pessoas e a sociedade!!
Bom como acho q ninguém le isso aqui num to nem preocupada...

"Distraídos venceremos."
(Leminski)
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