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O primeiro amor Platônico


Tava lendo diários antigos e lembrei do meu primeiro amor platônico, na verdade não sei se esse foi o primeiro, porque desde o prézinho que eu gostava dos meninos. Lembro que tinha 6 na minha classe, um era o meu namoradinho e os outros 5 eu declaradamente falava que gostava, até do Alexandre que era gordinho e um dia jogou areia no meu olho.
Lembro que na sexta série tinha uma professora de ciências a Elza, ela dizia que eu tinha  hormônios em turbilhões, porque só da minha sala eu gostava de 2 e ainda tinha, claro, aquele carinha da oitava série.
Não sei como era tudo tão declarado. Sei que a frase “Controle esses seus hormônios!” seguiu toda a minha adolescência.
Mas vamos ao ponto, porque ninguém lê postagem com mais de 20 linhas nos blogs ( eu não leio heheh).
Bom, como nas analises de fatos históricos, é definida uma data aproximada pra algum evento que não se tem precisão de período, eu vou escolher o Luiz como meu primeiro amor Platônico.

Conheci ele quando estava organizando um festival de bandas na minha escola, eu tinha 16 anos e achava que era A descolada. Ele era O estereotipo. Vocalista da primeira banda, das 15 que iam tocar. Uma banda de Reggae, ele estava de azul todo gato, sentado com o seu violãozinho no colo.
Miséria! O inicio da minha perdições por músicos ( superada depois que aprendi a tocar violão, não sei tocar direito mas me ajudou a me emancipar desses músicos).



 Conversamos e eu me apaixonei de cara, porque ele perguntou qual era o meu signo. Aiai!
 Não ficamos porque eu contei que já tinha beijado outro cara naquele dia. ( Um  cara que eu peguei só porque tinha  piercing na língua...)
Mas ele anotou o meu telefone, naquela época não tinha nda disso de internet ( ufaa!)
Ele me ligou umas 3 vezes, e seilá porque ficou por isso mesmo.
Mas ele ficou na minha cabeça como o homem ideal, eu chamava ele de azul, e escrevia quilos de poemas pensando nele, sofria, imaginava, suspirava... aaaaaiiiihhh

Cerca de um ano depois o vi  no palco de algum festival de rua, dessa vez era uma banda de Forró.
Nossa!! Gelei, quis chorar, vomitar , não sabia o que fazer, contei pras minhas amigas que o homem da minha vida tava no palco!
Aii meus hormônios! Nem respirava direito.Não conseguia imaginar o que fazer, suava, tremia... queria ir embora, queria me jogar no palco. As amigas todas em volta dando aquela força, e enquanto ele tocava fui me recompondo. Então acabou o show dele, esperei ele descer, e fui!
Lembro que ele ficou muito feliz em me ver e soltou um “ Estilosa como sempre” (  acho q perdi isso rrs ).
Enfim começamos a ficar. O foda que a banda dele tava ficando meio famosinha, e nossa, dava muito trabalho ficar com um cara daquele. Sempre cheio de shows, ensaios, menininhas no pé...
De qualquer forma, eu me considerava mega apaixonada por ele, fazia planos, suspirava escrevia sobre ele o dia todo, só falava dele...
Mas não sei bem porque cargas d´agua, um dia FIQUEI com o baterista da banda dele.  ?????!!!!!!
Da pra imaginar??!!! Tem que ser mesmo um amor de uma menina de 17 anos, pra fazer uma pataguada dessas!!
E assim ele se foi da minha vida, e eu ainda fiquei por muito tempo dedicando poemas a ele.

Fui atrás dele uns 10 anos depois disso, conversamos pelo msn, ele tinha acabado de terminar o casamento com uma menina que ele namorou desde daquela época mesmo. Hoje ele tem uma banda de Rock Pop que ta famosinha, e é meio Emo ( q ele não leia isso srrs).
 Iamos nos encontrar, mas um dia ele disse que samba era uma porcaria e... “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”...

Supero


Por que eu não supero?
Meu corpo treme de febre, ardor dessa dor sem correspondência
meu estomago se revira a espera de um toque seu.
Que não vem, que não vem...
Por que eu ainda espero,
por que eu ainda quero?

Vem um vem outro eu me distraio, me deixo levar,
mas eu volto, vem e vai, e eu volto.
E espero um recado
e espero um dizer
que não vem, que não vem!

Meu corpo se embrulha nele mesmo buscando se encontrar
encontrar lá no fundo o que me acolhe.
Pra de novo eu não me ver,
nessa dor de ver mais uma te chamando de amor.
Que brega .
Por que isso me fere?

Você vem assim, na minha vida deixando todo seu rastro dentro. E vai solto, leve flutuando em outros ares.
Eu também quero flutuar
Mas vem um, vem outro
Eu não deixo nem me chamarem de meu bem
e já tem mais uma te chamando de amor.
E você não me deixou chamar de nada
você não me deixou te dizer nada!

Por que isso me interfere?

Esse eu não posto, não divulgo.
Eu escondo lá no meu fundo que ainda não superei
Eu escondo lá no meu fundo que te persigo em pensamentos
E que me afeto, e que me afeto.
E espero um toque seu, um contato...
Você não fica sozinho.


Imagem: Michael Parkes

Quimeras


Hoje você veio me despertar em sonho. Veio você, na verdade, me espetar. Chegou assim mancinho do meu lado enquanto eu dormia... e com esse seu jeito displicente de chegar chegando, me arrematando com o seu sorriso largo e profundo, me perguntou sincero, me perguntou como menino. Perguntou-me remetendo-se ao passado, e se preocupando com o futuro. (a lua esta em eixo câncer –capricórnio).
Eu ali, enlevada com a sua presença e sinceridade desmedida, te joguei lá em cima em seus sonhos, te fiz crer e me fiz crer que perdoei. Poderosa eu estava em minhas palavras em benevolentes quimeras, apesar de dormir com uma camiseta velha e furada.
Você quis ficar se protegendo em meus abraços, como tantas vezes era só o que eu queria de você... Mas eu te desenlacei e te mandei viver a vida.
Acordei te dizendo, vai vai vai... Continuo me dizendo vai vai vai, deixa-o ir de vez...

Imagem : Andrea Sheuman

Mais outro


Essa pessoa... que me deixa fora do eixo perco o sentido, a rotação, translação... Esta pessoa que de mim muito não quer saber , mas só de eu ver já me faz tremer. Essa pessoa que tem outra pessoa. Essa pessoa que eu tento não querer, essa pessoa me faz ferir outras pessoas. Essa pessoa que as vezes dói, que não me faz feliz, não faz nada por mim. Essa pessoa! Não sai daqui de dentro.
E eu sei, pior que sei, que nada é essa pessoa. Tudo projeção minha...

Imagem: Marilizasilva

Te conto em sua conta










Para mais um que parte sem dizer adeus












Te conto, é tudo que posso nesse momento.
Te conto enquanto te observo partir em um ponto branco.
Imagino ser branco, pois não vejo.
E ainda bem porque se visse,
ia ser visão refratada, molhada, e toda salgada.


Te conto você fez sua conta, um cálculo amedrontado e frio.
Meu conto prolixo em sua conta concisa                         resultado, fastio.


Me absorveu nossa linguagem.
De espírito em matéria.
Eu mais escrita, você mais imagem.
Eu mais restrita, você de passagem.

O corpo repressão das pulsões,
em desconforto de tato.
Mecânicas do movimento, beijos parcos,
receio dos olhos nos olhos.


As mentes se concederam em mais vazão
Encontraram-se,complementaram-se,tocaram-se
em liberdade.
Raros eventos. (mas isso você ainda não sabe)


O corpo e a mente não se permitiram juntos.
Nesse cálculo eu compactuo.
Corpo + mente = sentimento.
Conta simples, não fosse às regras da relação misturar positivo e negativo.   


Observo-o partir, mas nem posso mais sentir,
isso já passou também.
Assim como querer compreensão 
do que foi contido. 
O que em mim existiu e em você resistiu.

Disperso no ar sem conversa nem bagagem,
dissipado nas brumas que escondem 
chances de viver horizontes.


Te conto para enfim o ponto
com ação de fuga pra novas paisagens.
Vai fugaz... sem olhar... sem abraço...
Nem dizer: To indo, até mais.


Já é homem, mas quanta ingenuidade
acha que assim vai enganar a saudade.


Mas sei que leva no canhoto da passagem.
Pra um dia sentir em algum lugar do mundo,
a pergunta que talvez  se torne selvagem:
Por quanto mais evitar sentimentos profundos?




Pequenininho de cabelo grandão


Querido amigo, saudades
Saudade sinceras


Dos nossos tantos momentos
De nossas cumplicidades de não sei onde
E até dos nossos desentendimentos


Saudades do nosso amor, da nossa dor
Do nosso terror frente ao tédio da vida.


Bebedeiras , brigas, descobrimentos
carinho, afeto.
E danças, ah! quanta danças andanças
Música, música músicas
trilhas que levamos pra dentro de nossas vidas
E como acreditamos e vivemos nelas.


Dos nossos encontros desencontros


Saudades da poesia disso tudo

Saudades , saudades sinceras
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