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onde estão os contos?


Achei isso nos rascunhos, nem sei de quando foi... E nem pq estava nos rascunhos, mas...



Fui impelida a começar esse escrito, por mim mesma, ou por algo ou alguém dentro de mim. Eu falo dessa forma mas eu sei bem o que é.  Ou não sei, as vezes apenas acho que sei.
É exatamente essa confusão dual que me faz escrever aqui agora.

O que eu teria pra escrever? Ficava me perguntando em quanto essa força e essa vontade fazia com que eu sentasse e escrevesse. Quem me conhece sabe que eu sempre gostei de brincar com as palavras e narrar acontecimentos com uma boa pitada de comicidade, mas tudo totalmente despretensioso. E de alguns tempos pra cá nenhum conto mais me veio a mente.
Fiquei culpando a meditação.  
Pensava a meditação acabou com a minha criatividade, antes eu ficava caminhando por ai observando fatos, e bolando historias mirabolantes na cabeça, que nem sempre eram escritas. Agora estou sempre cantando mantras, ou  agradecendo a Deus pela minha existência.
Então comecei a me dar conta que as 300 mil vozes que ficavam o tempo inteiro discutindo na minha cabeça sumiram, e logo lembrei que eu escrevia porque precisava mesmo dar um jeito de calar algumas dessas vozes.
Meus pensamentos estavam sempre loucos e agitados, imaginando diálogos e situações com pessoas. Criava uma situação hipotética, um acontecimento e até chagava a ficar com raiva desse acontecimento, e no fim era só a minha imaginação. Também imaginava mortes, como seria se minha mãe morresse, tal pessoa e a minha própria morte. E as vezes até chegava a chorar.
Por que eu fazia isso? E mais, como eu conseguia viver com isso?
A primeira explicação que me vem é porque eu não tinha coragem, e nem sabia viver o presente.

Sim, a mente assim em turbilhão de impede de viver o presente, e viver o presente é simplesmente estar atento ao agora. 

Os pensamentos mirabolantes da cabeça, lembranças de fatos passados, e mil planos descabidos e ansiosos pro futuro, fazem a sua mente entrar em turbilhões e te tiram do aqui e do agora.

Desculpem se este blog esta parado, mas acho que é porque eu devo estar vivendo o presente.

Fogo no Cerrado


Somente  cerca de 10 dias depois do ocorrido que consegui chegar em minha casinha e sentar para escrever, mas durante todo esse tempo fiquei com esse dia na minha cabeça, um dia que foi uma viagem de ensinamentos.

Acordei olhei pro lado o Diego já não estava mais lá, desci pela parede de nosso quarto de pedras e barro com um sensação estranha, "saiu com a Toiota", reparo que o João continua dormindo tranquilamente.

Vou caminhando pelo sitio Karroças na Chapada dos Veadeiros  lembrando de nossa chegada na noite anterior, fogo pelo caminho todo... Logo chega o Diego um tanto quanto desesperado :  "Sá ta queimando tudo Sá, ta chegando".  Meu coração acelera e no mesmo instante começo a ouvir aquele barulho se aproximando, imagine o som de uma fogueira e multiplique muitas vezes esse som, era ele que vinha cada vez  mais próximo com as fuligens que caiam em nossas cabeças.

"Vamos, vamos, logo" eu digo me desesperando. Não há muito a ser feito, não existem bombeiros na região, fazia tempo que queríamos tornar o sitio uma base do Prevfogo, mas nesse momento nem abafadores de pneu tínhamos, eles tinham se quebrado no último incêndio. "Imprudência".

 O fogo não pode chegar no sitio, todas as plantações a agrofloresta, há 5 anos que eles conseguem impedir que o fogo chegue no sitio, coincidentemente esse era o dia de aniversário de 5 anos do sitio Karroças.

O Diego acorda o João, e eu vou me equipar, tênis, calça e chapéu é tudo que tenho, o João ainda tenta começar a fazer uma tapioca, mas não há tempo, o som do fogo parece ensurdecedor nesse momento, encho um galão de água. "Vamos !".



Já da pra ver o fogo, ele ta com força, grande, uma linha chegando, não deixa de ser uma imagem bonita. Não temos nada, paramos e cortamos as folhas de uma palmeira nosso instrumento. Jogo água no meu tênis. "A tatica é essa, não deixar o fogo atravessar a estrada."
" Se atravessar fudeu".

Corremos cada um pra um lado, não da pra saber nem por onde começar, começo a rezar pra tudo que posso. "Vou movimentar o meu fogo, o meu fogo interno, fogo contra fogo é assim que vencerei". Fico repetindo, buscando essa força, essa energia tentando assim me conectar com esse fogo e criar uma compreensão do que ele é.

Começo a bater no fogo, muita fumaça que cegava, intoxicava, um calor quase insuportável, deviam ser quase 9 da manhã e o calor do fogo se misturava com o calor do cerrado, muito mais difícil apagar o fogo de dia. Parece que nada que eu faço adianta, queria ajuda, mas não tinha ninguém, só o Carcará que rondava a minha cabeça se aproveitando da situação a espera de alguma presa fugindo do fogo.

E o fogo ia consumindo tudo, matando tudo, os matos, as flores coloridas do cerrado, as casas dos animais, queimando as árvores, revelando as tocas, os ninhos, as cobras...   

Me surpreendi ao  conseguir apagar um pedaço que estava quase pulando a estrada, mas não tem muito tempo para comemorar tem muito fogo pra todo lado.
A garganta ta seca, os olhos lacrimejam choro e ardor, me sinto zonza, lembro que não tinha nem tomado café. "Mas a janta de ontem foi boa, bem reforçada" não há tempo pra lamentações, só o descer e o levantar dos braços em ritmo frenético, mais rápido que o fogo, que a brasa.
Tinha passado 15 dias remando antes disso, parecia que tudo tinha sido um treino, um preparo para estar naquele momento.

"Pelas cobras, pelos lagartos, as curicacas, o tamanduá bandeira !!"

Quando eu sentia que estava conseguindo controlar alguma coisa o vento mudava de direção e o fogo vinha pra cima de mim. "Meu Deus, Mãe Divina, Ganesha, Shiva". Vou evocando todo mundo e começo a pensar por que os Deuses que adoro são todos Indianos, tento pensar em algum Deus Brasileiro, mas logo percebo que nada disso existe, Deus é tão universal quanto esse fogo.

Meu estomago começa a doer, arder, sinto estar queimando por dentro. Movimentei tanto o fogo dentro de mim que agora esse fogo também me consumia. " Evocar a sutiliza do fogo é algo muito mais complexo do que ascender o fósforo". Penso sobre esse aspecto destruidor e transformador do fogo. "Parece que nada sei sobre a minha força".

 O João vem em minha direção as folhas dele tinham queimado, percebo que essa é uma hora boa para  lidar com o meu fogo, dou a minha pra ele e vou caminhando pra buscar mais, aproveitando pra respirar, pra equilibrar, ar e água "Não é o fogo contra fogo, é encontrar a sutileza desse equilíbrio".

Volto  com um novo animo, o Diego informa que o João tinha sido picado por uma abelha e ele é alérgico. Não há tempo de ver como ele esta, somos dois agora.

E por aqueles lugares que eu sempre andei com tanta cautela e até um certo receio, agora eu corria, pisando no meio do mato e escorregando nos barrancos, nada disso parecia importar. "Pela jaguatirica, pelas araras, tatu, anta, o lobo ahhh pelo lobo!!"

Penso que devem ser quase 11 horas, horário que ia ter o encontro das mulheres guerreiras na aldeia multiétnica, que eu queria tanto participar. Me conecto com a força dessas mulheres e nem sinto mais os meu braços, e o ardor. O fogo meche com a gente de uma forma é um transe, nada mais me incomodava, nada mais eu pensava.

O João voltou, tomou o remédio.  Conseguimos isolar bem o fogo, não tem mais tanto risco de pular pro outro lado, a meta agora era outra, proteger a grotinha, uma vereda cheia de buritis
Lembro do seu Jão falando "aquela grotinha que nunca seca, esta seca já em julho". A seca esta brava. As plantas são fixadoras de água mas são tantas as queimadas ... E o cerrado é onde se localiza a maioria das bacias hidrográficas do país.

"Mãe, minha Mãe Divina, por favor não deixa  o fogo chegar na nascente em cima do morro, a nascente onde cresce aqueles juçaras que sempre namoramos esperando seu fruto roxo, ali onde observamos o casal de araras fazendo ninho no tronco do buriti seco."

 Ahh quero chorar de raiva! "Filha da Puta" grita o Diego e logo ele completa "Não o fogo, o fogo é amigo".  "Filha da puta o Lorival que bota fogo todo ano pro seu gado", "Não, nem ele eu posso xingar". "As pessoas que comem carne também financiam tudo isso."  As pessoas mais pobres tem gado mas não tem terras pro gado, então eles criam o gado solto e colocam fogo pra todo lado pra tudo virar pasto.
Parece metáfora barata, mas ficava muito claro que com o ódio o fogo aumentava.
 "Pela cotia, pelos veados, o macaco prego, o urubu rei!"

Controlamos aquele lado, ufa uma vitória, um respirar aliviado.  Entramos no carro, a Toiota que nos levava para passear cachoeiras e morros agora era nosso caminhão de combate.

Chegamos em uma parte montanhosa cheia de pedras, muito mais difícil andar lá e se equilibrar, mas é onde o fogo e esta mais fraco e temos que  aproveitar. Sinto a sola do meu tênis mole mas continuo... "abuelitas  indestrutíveis ".

Meu corpo já esta  bem fraco, aquela adrenalina inicial já não estava fazendo tanto efeito. Não dormi direito na noite anterior, tinha visto um rato e fiquei a noite inteira com medo que ele subisse em minha cama. Nesse momento, entre o fogo e as pedras, compreendi muito internamente em como sou tola com meus ínfimos traumas, senti vontade de rir como se me observasse de longe. Relembro por quantos fogos eu já passei e me sinto plena ao perceber que ele passa.

Já passavam das 14 horas. O fogo, pelo menos, naqueles lados estava controlado, olhávamos aquele rastro de destruição a mata, as plantas, as copaíbas,  jatobás, lobeiras e os cajuís que estavam floridos, e aguardávamos dia a dia o seus cajus, tudo queimado.

Mas sabíamos também que o cerrado tem uma capacidade regenerativa incrível. Abracei uma árvore que estava toda queimada com a expectativa de me conectar com ela, e ela me repetiu o que uma outra árvore próxima dali já havia me dito:

 " A crueldade, o sofrimento é tudo coisa do ser humano, na natureza não existe isso".




Sati Sukalpa

Sai ti saí





Tento inútil assimilar sentimentos que arrepiam solitários na pele,
todos os instantes passados ou não, compõe-me o presente.

O corpo, sem perguntar, sente e revive o que achou-se superado.
Nunca sabemos quais realmente foram as marcas que fincaram os momentos,
sem ciência de como, ou o que fazemos e deixamos 
irá compor cada célula de quem se é.
Nunca sabemos até onde, sendo conhecido ou não, nos afetará...

Um livro, uma vista, um sopro vindo de não sei onde...
E a angustia latejante de estômagos e pernas
não sabe-se de onde, como, pra onde...

Mas nada disso pode ser escoados em palavras,
Sentimentos não existem em palavras.

Os sábios sabem, e como sabem. Por isso se mantêm calados...

Eu nada sei e anseio,
por isso parece doer,
dói de boca em boca,
de estomago em pêlo,
de mãos desconhecidas a atos perdidos,
estiveram em mim estarão...

Nada posso dizer, deveria me calar
o sábio não ensina, vivência... 




Imagem: André Arment



Sumi

Tenho andado assim tantos quilômetros por dia 
                tão parada.

Vejo tantos rostos e expectativas.

                As pessoas me ouvem,

eu ganho pra isso.

               As pessoas me ouvem,  me vêm
                      me obedecem.
Eu ganho.

                Mesmo quando eu não quero nada pra mostrar e dizer.
  Eu continuo ganhando.
                                     
Tenho andado assim parada tantos quilômetros e rostos por dias.
                                Eu continuo me perdendo.







Humpft!

Vou falar!
Lembro de quando era adolescente, eu colocava músicas do Djavan no quarto e ficava chorando... Só por chorar,  não tinha nenhum motivo assim aparente, mas existia aquela vontade latente do choro.
E eu ia lá, não me reprimia, fazia ele sair ouvindo as metáforas de amor de Djavan.
E eu to aqui nesse blog escrevendo contículos engraçadinhos...  
O meu ser ta precisando de algum quê de Djavan pra expelir
Essa rotina de dia e de noite, meus amigos, minhas gatas e...
ta tudo assim papel em branco... 
antes até papel amassadoriscadorabiscado 
mas não... 
papel em branco! 

Da qualidade de ser musa



Lembro quando conheci a palavra “musa”, foi em um romance que lia quando tinha 11 anos. O personagem era um desenhista e dizia algo como, “nunca mais terei em tela os seios de minha musa.”
Como sempre recorri ao dicionário, “ Mamãe, mamãe o que qui é musa?”
Ela explicou que era uma mulher muito bela e amada, que inspira o artista criar obras sobre ela.
Pensei: “legal, quero ser musa”.
Mais ou menos igual quando eu tinha uns 7 anos, e perguntei pra minha mãe quem era o Pinochet. Ela querendo suavizar um ditador disse-me, “é um cara que obriga a todas as pessoas fazerem o que ele quer ”.
Então eu disse: “Legal! Quando crescer quero ser isso também.”
Minha mãe deveria ter enfiado o meu dedo na tomada, para eu ter noção do que é tortura, porque desde então eu cresci super mandona.   

Mas fiquei com essa coisa de musa na cabeça. A princípio não fui muito sutil, dado essa minha influência infantil Pinocheniana.

Tinha um colega na escola que passava os dias desenhando personagens de quadrinhos. Eu perguntei: “Você nunca desenha heroínas mulheres?. Dias depois ele trouxe um desenho, acho que da Vampira do X Man.  Ai eu falei : “ Ah, faz um desenho de mim como heroína?” E ele veio com outro desenho da Vampira, só que mais baixinha.

Não desanimei.
Um dia comecei a namorar um músico. De presente de aniversário pedi que ele me compusesse uma música. Ele fez uma música tão abstrata, e a meu ver até atonal, que ele nunca mais conseguiu toca-la de novo.

Enfim logo conheci os poetas, com estes era tudo mais fácil. Embebidos da segunda geração romântica, estão sempre sedentos por uma musa pra lhes dar alguma dor. E quanto mais você desdenhava mais poemas recebia.

Não que estes não dessem trabalho também. Você tem de ter muita autoconfiança pra acreditar que aquele poema do seu namorado, sobre uma noite inesquecível com uma mulher fabulosa, de olhos tão profundos que beiravam o lilás, era sobre você mesma.
Pior ainda, são aqueles que têm mania de misturar os relacionamentos em um poema só,
e você tem que ficar decifrando se é a lírica, a plácida ou a louca.

O ruim de ser musa é que sua vida fica meio exposta. Vai ser musa de um cara que escreve contos autorais, que fica cavando coisas mais escatológicas e bizarras pra divulgar por ai. Como a vez que foram viajar para um fim de semana romântico, e comeram camarões estragados de resseca de vinho barato. Que deu uma disenteria tão fudida que em quanto um cagava na privada, outro tinha que cagar no chão.

Outra coisa que é foda é ser musa desses caras que não tem capacidade artística, mas que são tão locos e bitolados que escrevem sobre você até em porta de banheiros públicos.

Também nunca fui uma musa muito fácil. Sou impar pra rimar, cinza em azáfama, áscua em álveo.
E logo meus artistas partem pra mulheres de apoios fonéticos mais recorrentes. Daniela de todas a mais bela. Fabiana no meu coração é soberana. Amanda minha vida você comanda. Ou  ainda aquela vaca da Cristina, com seu nome tudo rima.

Mas o pior mesmo é ser a musa de você mesma, que fica escrevendo coisas assim por não ter mais sobre o que falar.




Imagem: Velásquez " Vénus no espelho"
Picasso "Mulher ao espelho"




Um Sonho



Caminhava sobre muros da cidade, ela notou e passou a me seguir. Percebi sua intenção de relance, e  pulei faceira sobre telhados.
Ela brincou comigo, com longos e pesados cabelos negros envolvendo uma face misteriosa. Sua pele brilhava sobre o céu que hora se tornava claro, hora se tornava escuro.
Dançávamos e girávamos, um dos giros tornou-me à seguidora.
Em um majestoso salto se jogou para o fundo de uma enorme piscina em um azul bucólico.
Pulei atrás, experimentando a sensação da água em meu corpo.
Na parábola do mergulho, as solas de dois pés colidiram com força sobre o meu peito.
Perdendo tudo em mim pensei, “não sobreviverei a isso”.
Deitaram-me a borda da piscina, e o primeiro ar que consegui trazer foi só pra gritar,
“ Porque fez isso?”. Seu rosto sem face respondeu, “ Você também já fez isso”.
Cai em torpor sentindo os pelos ouriçando no frio de minha pele molhada.
Os pulmões exprimidos sob os ossos das costelas lutavam para estabelecer respiração, o coração esmagado compassava em dissonância 
“Não sobreviverei a isso!”
Exclamei com o que eu achei ser meu ultimo tormento.
Então meu pai debruçou-se sobre a minha face, com seus olhos verdes e sorriso debochado, me informou:
“Você só esta apaixonada.”




Imagem: Michael Parkes

Vazia



Essa vida que existe a minha frente.
 Esta ai a cada segundo que  passo perdida no sofá,
olhando os raios transportando o tempo pela janela,
seus  reflexos caminham pelo chão vazio de meu apartamento.

A vida não me arde mais, meu estomago não me urge mais.
O céu passeia seguro pelos dias,
só pra me mostrar que eu não sei o que fazer com eles.

Claro escuro, apenas essas nuances captam minhas retinas.
Me viro de um lado ao outro sobre mim mesma.
Mas um gato deitado em minha barriga diz,
 não ser preciso encostar os pés no chão frio. 



Imagem: Wisdom
Não to mais gostando desse blog.
Muito escuro, bagunçado sem foco sem tema...
Ta parecendo o meu quarto, minha cabeça, meus dias..
Amadesamaadoeceamorteceacreditabrincaentristeceentorpececarenciamalemolenciavive
definhadefinesatirizagozarelaxaaprendeatormentacriadescasoporacasoprantoplanta
acimentadesenvolvemassageacura
em um só tempo

Estáticismo

Digo aqui assim, sem pensar muito
sem me preocupar com estética que andam por ai querendo que me preocupe. Eu li um livro de 556 páginas outro dia, a Distinção. Conclusão: Estética é uma construção de distinção social ( mas provavelmente não sei do que estou falando)
só pra rimar mesmo...

Minha estética disléxica,
tento lembrar qual foi a palavra que usaram pra definir esse blog, algo não muito sutil, e um tanto desanimador...

São duas e pouco da manhã de uma sexta chuvosa, estou acabando finalmente a minha dissertação.
Como é engraçado, mandei de tantas maneiras qua as coisas se fodam, e no fim elas não se foderam e nem me foderam.

Só pra escrever um pouco de palavrão no meio de 158 paginas acadêmicas de minha vida

Sinto um gosto de liberdade e angustia escorrendo pelo canto da boca.
Com a liberdade vem as escolhas.
Ação depois de tanta inanição.

também me curo dessa anemia
muito barato se ao fim eu rimar tudo isso com alegria?

Imagem: D. Xavier

Anemia


                      

Ser sem dentro em agonia.
Nada posso pra fora expandir
Língua que prende amarrando a boca.
Nada posso de dentro surtir
Palidez que vertem os dias em apatia
                                                                                 
Fome que dói na garganta imperando inconsistência
Hematomas que aparecem por pouca delicadeza
angustia vazia de farta carência.
Nada mais tenho alem dessa fraqueza.

Vontade de enfiar a cara na terra,
devoro assim solidão Rebeca Buéndia.
O gelo, meu calcário de parede.
Banana verde amarrando a boca.
Sôfrego em avidez meu corpo se encerra.

Tépido sangue influi fino,
nada encontro que me sustente
sabor em senso nesse organismo mofino
branco opaco em fragmento pungente.

Débeis sentidos que me erguem cansada
Aceitei seu remédio semeador de cabeça
crença que vende amarrando a boca.
Sintético a espera que meu ser guarneça.
Nem percebo permitir direção errada

Espessa luz que não acalenta,
oco cultivo que desnutre em empenho.
Vermelho sem cor que não posso escoar,
se esvair  perderei o que já não tenho.
Vestígio que fere o que não me alimenta

2, 3, 4 ,5 amarrando a boca.

Mes


Perguntaram a ele e assim foi o que ele disse, eu vivi o fato e ele fez em conto.

Descreva um encontro inesquecível.

( Aleph Davis)

Era um primeiro encontro, o meu último. Nem era para ser algo romântico, apesar da garota ser interessante. Nunca havíamos nos visto antes, mas nos abraçamos, para começar; e olhamos bem no olho um do outro. E gostei muito do que vi.

Metrô Consolação. Era segunda feira de Carnaval, uma tarde quente. Ela linda. De muitos sorrisos. Havia poesia ali.

Só havíamos conversado uma vez, na noite anterior, pela internet, sobre trabalho. Mas não sei como concordamos em nos encontrar pessoalmente e, o mais estranho, sabíamos que não seria para falar de trabalho.

Caminhamos um pouco à esmo, descontraídos, a flanar lado a lado, descendo e subindo a Rua Augusta. Conversávamos sorrindo, um pouco bobos. Paramos para tomar um chá gelado e conversar melhor, frente a frente.

Ao anoitecer fomos até o vão do MASP, onde as conversas ficaram mais sérias, profundas, um pouco confessionais e em têrmos e olhares cada vez mais íntimos. Inteligente ela. Nenhuma das nossas diferenças podia nos afastar, e a proximidade aumentava à medida que afundávamos nossos olhos na noite, olhos vívidos como nossos corações.

Caminhamos em direção ao Paraíso, e fomos parar no número 1000 da Rua Vergueiro, onde escalamos a rampa sobre a qual se expõe o logo do Centro Cultural. Sentados lá em cima, começamos a averiguar com as mãos as mãos um do outro, e logo o rosto e os cabelos. Abraçamo-nos intensa e demoradamente. Então nossas cabeças começaram a dançar juntas, tocando-se mutuamente, devagar, como o fazem dois animais carinhosos; as mãos entrelaçadas, os olhos fechados, e nossas antenas (cada poro) em fina sintonia, sinfonia. Tanto que ouvi fonemas e ela viu cores. O que mais e mais se intensificava, em nosso silêncio cúmplice. O beijo, o melhor do mundo, foi uma simples conseqüência, ato contínuo, poético; acariciávamos com lábios os lábios, a língua com a língua, numa delicada operação mágica, de conversão e amálgama, de reconhecimento e entrega.

Foi uma experiência descontrolada de respirar o momento, dádiva plena dos dois sermos um, de admissão dos sentidos, rito iniciático ao outro.

Eis como tudo começou... a amizade, a paixão e o amor. Estamos namorando desde então, e hoje faz um mês. Cada novo encontro nosso é sempre melhor do que o anterior, todos eles inesquecíveis.


Mais do autor:   http://naofiquesao.blogspot.com/




AMIGOS !
por um tempo vcs me encontrarão somente no


www.dissertando.prazofinal.arrancandoscabelos.com

até

A dor de fora




Porque descontar a dor do sentir, procurando um alguém para substituir? 
Porque esperar um, para completar esse buraco arrancado, usando de outro o que se espera encontrar em você?

Agora já me sinto bem, encontrei outra pessoa. e quero que você saiba. Quero que me veja feliz passeando de mãos dadas na calçada!

Os lençóis já estão viciados. Mas como a noite virar e chorar, se um alguém esta a dividir seu travesseiro?

Como contar que te usei...
Te usei, obrigada adeus passe bem...

Procura alguém por um motivo, usa até quando pode, e quando esta não esta mais dando conta do que lhe era querido para o uso, chuta.

Procuro alguma desculpa para te chamar, um livro esquecido uma conta por pagar...

Sem perceber mais um por ai a se lamentar. Vamos rir engolir o choro e buscar o novo amor.
Assim criar a ilusão de que, eles vêm eles vão, e não me afeta sua falta de afeição.

Me sufoca o ódio que sinto por essa pessoa que me despreza.
Não entendo como se pode inverter assim o sentimento. Quero te afetar inventar algo para que sinta pior pior!!

Nem sei se esse amor ou essa dor tem um rosto ainda, alimentando uma lembrança que de feliz se tornou angustia.

Um som antigo vem como uma sentença “de cada amor tu herdaras só o cinismo”.

Não vejo sentido de você no mundo em que tento construir, não cabe te ver diferente de como te vivi, sorrindo em minha cama... não quero mais nem você nem esse quadro.

Caminho sem persistência da minha personalidade, não sei mais o que sou e isso já não importa...

Esse amor tem essa dor esse rancor. Esse amor tem essa cor, esse sabor em tom de melancolia.
Tão egoísta ao mesmo tempo em que não se supre por si só.
Qual será afinal o companheiro do amor?

Hoje me sinto tão racional e distante, parece que por um instante...

Ninguém é esta metade que parece me faltar.
O que me falta eu encontro só em mim.

foto: Francesca Woodman

QUALIFICAÇÃO


Faço as malas

De novo novamente mais uma vez.
Nela coloco tudo o q fiz nestes últimos 3 anos pra ser provado, pra ser questionado...
Pra ser discutido.
Já surtei já pirei já desencanei
Eu vou!
Minha cabeça pensa em outras coisas, minha vida tem movimento. Por um tempo cheguei a pensar que o movimento todo era pra esse momento.
E não foi, não é nunca foi.
Mas então vou lá qualificar, ouvir, aceitar, mostrar.
Eu vou sabendo que minha vida não é esse momento.
Vou buscando respirar, buscando a paz que sempre quis ensinar.
Vou buscando ser copo vazio
eu vou...


ME ASSUMINDO



Resolvi me assumir como autora desse blog .
Por algum motivo, que hoje já não me faz sentido, achei que estaria mais livre nas expressões se me escondesse por traz de algum heterônimo, e até busquei por nos textos as características do nome que escolhi para me representar. Não deu muito certo este teatro.
Hoje me apresento ( tds já sabem no fim) mas sou eu aqui q transbordo essas coisas nesse blog que muito me ajuda a parar de pensar.
As vezes um assunto fica matutando na cabeça batendo batendo, sento aqui escrevo e ufff foi embora.
Agradeço aqueles que acompanham de perto ou de longe.

Namaskar


ps. hj estou tão assumida que até uma foto minha eu coloco. Uma foto tão linda q um amigo fotógrafo captou com bastante sensibilidade. Ele que é o autor da maioria das fotos que aqui coloco David Xavier.

Assim assim

Desastrada desligada os pés longes do chão... Derrubei suco, derrubei os livros, e até a bacia caiu da varanda lá em baixo no estacionamento.
Esqueci a hora, esqueci que tinha que ir... e até minha carteira na loja eu esqueci.
Esqueci também os planos, os pensamentos... Derrubei o meu corpo sobre mim mesma e assim me esqueci.
Desci no ponto errado não sei por que, e parei pra observar os pingos da chuva que caiam forte batendo no chão, de repente percebi que os pingos batiam em minha cabeça e escorriam pela face. Peguei o mesmo ônibus novamente, sei lá por que.
Andei sem saber e sem saber eu fiquei.
Ouvi o pulsar no meu corpo, senti a luz no meu paladar e não quis entender.
Parei de pensar em mim, parei de pensar em você.
Sorri ao caminhar. Sorri ao parar. Sorri ao tropeçar. Sorri ao respirar.
A paz flui de mim
E tudo esta em paz.

Conversas de portão. Ou como comecei (ou não) a compreender a antropologia.



Hoje penso que consigo entender o que quis dizer uma professora quando em uma aula professou uma frase que causou certa indignação entre os alunos. Ela disse algo como, é a antropologia que me permite conversar com o pedreiro, com a empregada...

Entendi que o conversar neste sentido, se estende a um aspecto maior e muito mais intenso do que um comentário sobre o tempo, ou um capitulo da novela. Mas com o sentido antropológico de entendimento do outro, e este “sentido de entendimento” para mim, pressupõe acima de tudo sensibilidade e vontade de olhar as pessoas e suas vidas, de querer olhar sem esta viseira social que encobre e sobrepõem as relações humanas.

Muito mais do que pretender olhar sem julgamentos, e sem a pretensão de tentar compreende-los, mas deixar-se observar e chegar a alguma conclusão que no fim são e somos seres humanos com valores, sentimentos, esperanças, moralidades e realidades.

Esta forma de ver e se ver, é de fato um exercício constante não é simples nem natural, necessita séries de reflexões da vida e seus significados. Que fazem com que você primeiro, aos poucos vai descobrindo ter esta tal viseira a cobrir sua compreensão de vidas, e depois tentar move-la por mais que saiba que tira - lá totalmente ainda é uma tarefa distante. Possível será? Não posso e nem tenho como tentar responder isso a altura de meus 24 anos.

E é nesta reflexão que em mim foi iniciada pela antropologia, ou ao menos, me foi tocada pela forma como está tenta intermediar o relacionamento dos seres, que me deu a oportunidade de nesta vida tão individual e individualizada de prestar a atenção em pessoas além de meus vínculos de interesses.

Como as tantas vezes que, uma mulher, um homem ou uma família vem tocar a campainha de minha casa, me tirar de meu mundo, para me pedir algo, vender algo ou algo assim. Antes do costumeiro não obrigado ou não sinto muito, hoje me vem – mais do que antes - o questionamento e ainda a curiosidade, de quem seria esta pessoa. De onde vem, por quantas casas ela já passou despercebida, quantos nãos ela já recebeu que a fizeram desanimar e desenganar da vida. Ou não. O que a faz ter que tocar companhias desconhecidas e vomitar discursos hoje já decorados, já naturalizados e conformados de uma realidade doída.

E eu com minha vida de estudante sobrevivendo também de uma forma improvisada, mas de uma maneira tão diferente e distante daquela pessoa, tento naqueles minutos de contato entender o que se passa com aquele ser que me aborda, e saber o que eu como outro ser posso fazer naquele instante por ela.

Nesta disposição, me vem toda uma realidade que tento estudar e discutir em meia dúzia de palavras e em alguns segundos de olhar acabo conhecendo:

Uma família que chegou do Paraná só com a roupa do corpo, homem, mulher e 4 crianças, que na verdade tinham saído do nordeste tentando a vida onde lhe coubessem e agora estavam em Marilia a minha porta pedindo qualquer, qualquer coisa para quem não tem nada.

Um tiozinho bêbado e inchado pedindo um pouco de comida pronta por que a família cansou de lhe sustentar.

Crianças que querem somente bolacha e se você dá, elas vêm todo dia pedindo mais.

Uma senhorinha japonesa que vem com seu carrinho vender salsinha, almeirão ou alguma coisa que colheu de sua própria horta que cuida com bastante zelo.

Uma mulher doida que pede um sabonete, um dinheiro e se você lhe da um pouco mais de atenção, ela logo se desinibe e lhe pede uma dose de qualquer coisa.

Um senhor que vende pão e gosta de ficar horas falando como seus clientes adoram o pão que sua mulher faz.

Entre tantas outras pessoas e histórias...

E eu que com minha verba tento administrar contas, aluguel, comida, xerox e cerveja, e com minha dispensa de macarrão, café e batata, tento reparar de uma maneira ínfima e impotente um pouco da desigualdade que tanto estudo e questiono.

Observo-os então ir a porta do vizinho com suas historias pesando lhes o ombro.

Não tenho como não me perguntar:

E aí ?!! por onde a antropologia saí?


(texto antigo, mas q ainda me faz sentido)


Quadro: Andreusa Ricci ( minha avó)

Um muro??


Ta rolando ta fluindo ta acontecendo!!

Como é libertador quando descobrimos que não adianta ficar se jogando, arranhando, confrontando a narigadas o muro que se ergue em sua frente.
Também não adianta desanimar, parar e estacionar conformada.

Quando buscamos tomar consciência do que de fato é feito esse muro, o porque dele estar lá, e quais são suas brechas que podem ser exploradas pro seu crescimento.
O muro parece ficar tão pequeno q com um passo você o ultrapassa.

Não tem como não olhar pra traz e não dar risada por ter se deixado tanto tempo ser dominada por algo que hoje já é apenas uma linha.

E quantos e quantos caminhos coloridos e perfumados vão aparecendo depois que se entende a ilusão do muro!!!


Foto: David Xavier
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