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Serra silenciosa

A Serra era uma vigia silenciosa no transpassar do tempo, cordas
corroídas do violão que ainda não sei tocar, corpos colados na
  intersecçãosútil de dois transformando-se em um...
Uma bela cachoeira ainda não pude te dar...mas dei sim, um sorriso
sincero no olhar...minha vida pra você entrar...

Quero você...muito mais que um delírio nas tardes  gostosas lá no
sítio, sua pele macia, sua boca um doce gomo...Deitava-me embaixo da
mais alta árvore copada, tirava minhas armaduras e entregava-me a
sutileza da terra úmida sob meu corpo quente. Era mesmo você que eu
queria, assim mesmo, do seu jeito, com a ternura no canto dos olhos,
com a poesia embriagando meus sentidos, um lírio silvestre, o infinito
na palma da mão...E eram lindas as luzes que transpassavam as janelas
daquela tarde perdida no tempo, e eram muitas as lembranças que
traziam sua alma para meu encanto, e era em tamanha loucura que eu
gritava seu nome, e fazia ecoar na imensidão do mundo, muito além das
porteiras do sítio, bem perto dos seus ouvidos...Satiiiiiiii!
Satiiiiiiii! Como pode ser a vida sem a delícia do seu sorriso?
Satiiiiii! Satiiiii! Como pode a distancia deixar-me inerte, com o
coração apaixonado? E a tarde corria de mãos dadas com o tempo,
serpenteando o riacho límpido atrás de casa...Eram os pássaros que
traziam-me de volta, a suspirar os meus delírios e a perder-me em todo
seu encanto.

Cada momento ao teu lado é um sorriso a mais na vida..

Diego

Um Yogue falando sobre a arte


Este belo texto do Professor Hermógenes, um grande sábio do yoga,  revela algo que eu sentia mas nunca consegui expressar, nem em pensamentos.


Mergulho na paz 
Hermógenes




"Um diagnóstico seguro é o melhor iní­cio do tratamento. Quando o médico chega, a saber, o de que o paciente está sofrendo, só então está em condições de agir terapeuticamente. Em resumo: primeiro o diagnóstico; depois os remédios.
Até mesmo o homem das ruas já diz, com razão: o mundo está doente!Só mesmo um otimista doido pode dizer que este é um mundo civilizado, livre, sadio, justo, honesto, tranqüilo, equilibrado, perfeito…
O diagnóstico está feito.Agora só falta o tratamento.

São tantos a diagnosticar que a segunda parte – o tratamento – está sendo esquecida.
A cada dia mais um diagnosticador se manifesta contra a hipocrisia da moral, contra a imoralidade da violência, da fome… contra a imoralidade de restringir a imoralidade. A cada dia, nos jornais, nas revistas, no rádio, na televisão, em todos os canais de comunicação, surgem novas formas de acusar os outros e de protestar. Nos teatros e cinemas, roteiristas, produtores, diretores, atores, exibidores, finalmente a maioria dos industriais da arte (???!!!), com a maior audácia, regurgitam críticas sobre o que o homem faz contra o mundo e o mundo contra o homem. Os palcos estão empenhados em dizer às multidões sadomasoquistas o quanto e como o homem é sórdido. E o fazem exibindo, escandalosamente, a própria sordidez. As telas e os ví­deos, os shows, os happeningsdisputam a atenção das platéias mórbidas, desejosas de ver cruamente sua própria morbidez. O romance, a pintura, a própria música, em expressão erótica e expansão caótica, atiram, às faces de todos, protestos, agressões, contestações… E, na generalidade, os homens pagam para ver essa deprimente autodiagnose. Todos esses bem pagos gênios do escândalo se esmeram em acentuar as sombras. Carregam nas cores do trágico. Avolumam os gritos da degradação. Abusam em ferir, em desmascarar, em agredir, em desmoralizar ainda mais.

Não é arte. Isso não é arte. É indústria usando máscara, a máscara da arte.

A máscara serve para reclamar a liberdade que a arte reclama e merece.Não haverá em cada “diagnosticador” um hipócrita?

Arrogantes, apenas apresentam aquilo que chamam de “a realidade humana”. Apenas impingem e agridem com um diagnóstico altamente suspeito. Não sentem – é claro – qualquer compromisso com o tratamento. Não trazem, nem desejam, qualquer esperança de solução. Não têm – e orgulhosamente o declaram – qualquer intenção de remediar o mal que denunciam. É lógico que assim procedam. Se seu negócio é vender carniça, sua ruí­na seria a pureza, a melhora, o progresso espiritual das multidões que deixassem de gostar da mercadoria. Sem caridade, atrozmente, cinicamente, declaram que só lhes interessa revolver o lamaçal. Faturam com a violência. Vendem escândalo.

Chega de tanto diagnóstico, isto é, de autodiagnóstico. Autodiagnóstico, sim, pois, segundo o filósofo, “quando João fala de Paulo, fico sabendo mais de João do que de Paulo”.

Chega de chamar de arte esse negócio de denúncia, que em realidade é um aliciamento dos incautos para aquilo que é objeto da denúncia.

Chega da hipocrisia de denunciar a hipocrisia.

É muito simples localizar um monturo. Basta seguir a mosca em seu vôo. Interessa-nos seguir o vôo da abelha em busca de pureza, luz, cores, trabalho, perfume, doçura
O que é mais fácil já está sendo eficazmente feito: demolir.

É preciso que apareçam alguns a revelar o lado divino do homem, mostrando uma esperança, apontando para uma luz, falando de uma solução, tentando mostrar que inferioridade e angústia são desafios necessários para uma realização evolutiva.
Mas como isso está parecendo difí­cil!

Que esperança posso ter de que minhas canções sejam ouvidas, se os decibéis da guerra e das guitarras já ensurdecem o mundo?
Que esperança posso ter de vender algum mel de minha colheita, se o vinho da sordidez agrada e alicia muito mais?
Que futuro pode ter aquele que oferece perfumes de singelas flores campestres a quem já está enlouquecido em fuga alucinógena?
Que esperar se não sei agradar com o agredir, que às multidões agrada?
Que resultado terá meu discurso se não fala do que as massas embrutecidas desejam escutar?

Apesar de tudo, não desisto.

Nisso, imitarei o Criador.
Ele é mesmo um otimista incorrigí­vel.
Ainda esperando que os homens o descubram, todas as noites, pontual e infatigavelmente, acende o imenso lampadário do céu.
Mas, Ele deve ter razão.

Sempre haverá um poeta distante, um mí­stico errante, um esteta enamorado olhando o céu, gozando o esplendor, fascinado pelas estrelas.

Vou fazer como Ele.

Continuarei cantando, falando, chamando, mesmo que o faça por fazer. Mas… sempre vou esperar que alguém me escute, me entenda, e venha comigo na estrada do Espí­rito, que é para todos nós.

Venha irmão, para um mergulho na Paz. "


Hermógenes Mergulho na Paz. Ed. Nova Era




Das vantagens de ser bobo



O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando."
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar,e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector

Imagem: Pablo Piacasso - El Bobo

Comer

"Coleque isso desta maneira:
Um homem come uma refeição e depois a vomita.
Ele não obterá nenhuma satisfação dela. Sentimos que o ato de comer traz saciedade, mas não é assim; a saciedade só vem quando a comida é digerida.
O intercurso sexual é de dois tipos:
Um que é como meramente comer e um outro que é como digerir.
O que geralmente conhecemos como intercurso sexual é meramente comer e vomitar, e nada é digerido”

Osho

em marilía poesia

Ontem o sino da igreja badalava 4 vezes as estrelas estavam incriveis em um céu que se pode olhar pra cima e ver. As músicas acompanhavam os sentidos . Um querido muito querido me recita este poema. Achei ele tão significativo e aqui coloco para significar mais pra mais de nos...

Por aqui muita luz paz e amor!!! Que por ai tbm assim seja!
Sintam;se livres comentem, ajudem a dialogar Drummond!!


O HOMEM, AS VIAGENS




O homem, bicho da Terra tão pequeno
Chateia-se na Terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a Lua
Desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
Planta bandeirola na Lua
Experimenta a Lua
Coloniza a Lua
Civiliza a Lua
Humaniza a Lua.


Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
Pisa em Marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte.


Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
Vê o visto – é isto?
Idem
Idem
Idem.


O homem funde a cuca se não for a Júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.


Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o Sol, falso touro
Espanhol domado.


Restam outros sistemas fora
Do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:


Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.

Carlos Drummond de Andrade

*ps, num deu tempo pra foto...sugestão??

_____________O amor, esse sufoco,
____agora há pouco era muito,
______________agora apenas um sopro


______ah! troço de louco,
____________________coração trocando rosas,
_______________________________________e socos





Leminski








Nanotecnologia

“ O conhecimento em nós, se transformou em paixão, que não se intimida diante de nenhum sacrifício e no fundo nada teme, a não ser sua própria extinção;(...) talvez mesmo a humanidade sucumba por essa paixão de conhecimento!”

Nietzsche - Aurora

Se

"É melhor possuir o medo da dor que se pode evitar,
ou o desejo pelo prazer que se pode vivenciar?
O Cético está protegido, mas o Romântico se diverte mais?

Se por acaso a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse..."

(Alice Ruiz)
Quadro Bond - Escher

Até Freud

“A antítese entre civilização e sociedade deriva da circunstância de o amor sexual constituir um relacionamento entre dois indivíduos, no qual um terceiro só pode ser supérfluo ou perturbador, ao passo que a civilização depende de relacionamentos entre um considerável número de indivíduos ( ...) A realidade nos mostra que a civilização não se contenta com as ligações que até agora lhe concedemos. Visa unir entre si membros da comunidade de forma libidinal (...) convoca a libido inibida em sua finalidade, de modo a fortalecer o vinculo comunal através das relações de amizade. Para que esse objetivos sejam realizados, faz se inevitável uma restrição a vida sexual”


FREUD- Mal estar na cultura

"A primeira das paixões da alma e da vontade é a ALEGRIA "

S. Jão da Cruz, Foto Julio Cesar
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