Constatação barata

Insônia.
Noite quente. Remexo-me na cama de um lado ao outro, experimentando a solidão de não topar com ninguém a se queixar de minhas constantes viradas. Movimentos livres e a angustia do meu corpo deserto dividindo dois travesseiros.
Revirando-me em meio a suores provocados apenas pela temperatura ambiente, percebo um movimento á meia luz .
Observo uma temida e nojenta barata caminhando precipitante pelo chão de meu quarto. Com um longo suspiro quase que tento apenas ignorá-la, virando ao lado.
Mas o asco de imaginá-la percorrendo o meu corpo enquanto durmo, me fez pular prontamente. Encarando a barata que juntamente trazia, esfregando em minha cara, a constatação dessa empreitada solitária na noite.
Serzinho marrom, com suas asquerosas asinhas transparentes e anteninhas trepidantes.
Nem aqueles costumeiros gritos de asco e pavor quiseram se fazer presentes, como atores que se frustram com a casa vazia em dia de espetáculo, os sons não se deram ao trabalho de escorrer pela garganta e jorrar pela boca.
A aniquilação da barata foi rápida e silenciosa, como quando se quer evitar um assunto constrangedor, logo inventamos uma historia mais atraente e distraível.
Mas em noites como essa, os sentimentos estão aflorados de mais para assim serem embromados. E logo o corpo, com o seu pijaminha um tanto quanto sexy por causa do calor, volta-se a se por em debate com os dois travesseiros.

Imagem: Francesca Woodman

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. aiaiai qt mistura! e viva a pós-modernidade!!! Pastiche. por essas e outras q a personagem continua a se livrar de baratas sozinha...
    P.s. eu Sati (não a personagem) estou numas de não violência e tenho rebolado muito pra me livrar de baratas sem mata-las...

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  3. As vezes é na insônia também.
    Belo texto e obrigado pelo comentário.
    Leia sempre (:

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  4. engraçado nada a declarar fique com as baratas e o pijama sexy quem sabe a barata não vira um principe e nem precise do meu auxilio


    a la tienda del lo blues

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  5. Me deu dó da barata! Sempre senti isso com esses seres. A foto que ilustra o texto é belíssima, como as outras que escolhe. Quem fotografou? Quem é a modelo? O cara do primeiro comentário foi hilário. "Pinjaminha" e outros têrmos soaram engraçados. Continua que estou gostando muito.

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  6. Ola obrigada pelo comentário! A foto é de Francesca Woodman ( dei o crédito mais acho q ficou pequeno) Uma fotógrafa incrível, profunda, um tanto qt sombria e melancólica. Uso muito as imagens dela, digite seu nome na net encontrara trabalhos instigantes dela. Gosto muito de fotografia q acho q ajudam a dar mais profundida ao q escrevo.

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faça o que tu queres! agradeço a interação

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