Humpft!

Vou falar!
Lembro de quando era adolescente, eu colocava músicas do Djavan no quarto e ficava chorando... Só por chorar,  não tinha nenhum motivo assim aparente, mas existia aquela vontade latente do choro.
E eu ia lá, não me reprimia, fazia ele sair ouvindo as metáforas de amor de Djavan.
E eu to aqui nesse blog escrevendo contículos engraçadinhos...  
O meu ser ta precisando de algum quê de Djavan pra expelir
Essa rotina de dia e de noite, meus amigos, minhas gatas e...
ta tudo assim papel em branco... 
antes até papel amassadoriscadorabiscado 
mas não... 
papel em branco! 

conto curto






Casada com um renomado intelectual,
ela se sentia como os livros que ele exibia na estante,
citada mas nunca compreendida. 








              
Imagem: Vladimir Kush






Sexta 13

 

Convidou-a para tomar algo. 
Talhou filetes em sua carne nua,
e sorveu devotadamente o liquido vermelho.








Imagem: Maya Goded 


 

Decididamente

                                                               
 Pensei estar em momentos de tomadas de decisões na minha vida.

Mas parece que as decisões estão se tomando por elas mesmas.







Imagem: Vladimir Kush

Vida Yoga

Nova postagem no meu blog de yoga

O que é Asana 

clique e descubra seus benefícios.

Da qualidade de ser musa



Lembro quando conheci a palavra “musa”, foi em um romance que lia quando tinha 11 anos. O personagem era um desenhista e dizia algo como, “nunca mais terei em tela os seios de minha musa.”
Como sempre recorri ao dicionário, “ Mamãe, mamãe o que qui é musa?”
Ela explicou que era uma mulher muito bela e amada, que inspira o artista criar obras sobre ela.
Pensei: “legal, quero ser musa”.
Mais ou menos igual quando eu tinha uns 7 anos, e perguntei pra minha mãe quem era o Pinochet. Ela querendo suavizar um ditador disse-me, “é um cara que obriga a todas as pessoas fazerem o que ele quer ”.
Então eu disse: “Legal! Quando crescer quero ser isso também.”
Minha mãe deveria ter enfiado o meu dedo na tomada, para eu ter noção do que é tortura, porque desde então eu cresci super mandona.   

Mas fiquei com essa coisa de musa na cabeça. A princípio não fui muito sutil, dado essa minha influência infantil Pinocheniana.

Tinha um colega na escola que passava os dias desenhando personagens de quadrinhos. Eu perguntei: “Você nunca desenha heroínas mulheres?. Dias depois ele trouxe um desenho, acho que da Vampira do X Man.  Ai eu falei : “ Ah, faz um desenho de mim como heroína?” E ele veio com outro desenho da Vampira, só que mais baixinha.

Não desanimei.
Um dia comecei a namorar um músico. De presente de aniversário pedi que ele me compusesse uma música. Ele fez uma música tão abstrata, e a meu ver até atonal, que ele nunca mais conseguiu toca-la de novo.

Enfim logo conheci os poetas, com estes era tudo mais fácil. Embebidos da segunda geração romântica, estão sempre sedentos por uma musa pra lhes dar alguma dor. E quanto mais você desdenhava mais poemas recebia.

Não que estes não dessem trabalho também. Você tem de ter muita autoconfiança pra acreditar que aquele poema do seu namorado, sobre uma noite inesquecível com uma mulher fabulosa, de olhos tão profundos que beiravam o lilás, era sobre você mesma.
Pior ainda, são aqueles que têm mania de misturar os relacionamentos em um poema só,
e você tem que ficar decifrando se é a lírica, a plácida ou a louca.

O ruim de ser musa é que sua vida fica meio exposta. Vai ser musa de um cara que escreve contos autorais, que fica cavando coisas mais escatológicas e bizarras pra divulgar por ai. Como a vez que foram viajar para um fim de semana romântico, e comeram camarões estragados de resseca de vinho barato. Que deu uma disenteria tão fudida que em quanto um cagava na privada, outro tinha que cagar no chão.

Outra coisa que é foda é ser musa desses caras que não tem capacidade artística, mas que são tão locos e bitolados que escrevem sobre você até em porta de banheiros públicos.

Também nunca fui uma musa muito fácil. Sou impar pra rimar, cinza em azáfama, áscua em álveo.
E logo meus artistas partem pra mulheres de apoios fonéticos mais recorrentes. Daniela de todas a mais bela. Fabiana no meu coração é soberana. Amanda minha vida você comanda. Ou  ainda aquela vaca da Cristina, com seu nome tudo rima.

Mas o pior mesmo é ser a musa de você mesma, que fica escrevendo coisas assim por não ter mais sobre o que falar.




Imagem: Velásquez " Vénus no espelho"
Picasso "Mulher ao espelho"




Um Sonho



Caminhava sobre muros da cidade, ela notou e passou a me seguir. Percebi sua intenção de relance, e  pulei faceira sobre telhados.
Ela brincou comigo, com longos e pesados cabelos negros envolvendo uma face misteriosa. Sua pele brilhava sobre o céu que hora se tornava claro, hora se tornava escuro.
Dançávamos e girávamos, um dos giros tornou-me à seguidora.
Em um majestoso salto se jogou para o fundo de uma enorme piscina em um azul bucólico.
Pulei atrás, experimentando a sensação da água em meu corpo.
Na parábola do mergulho, as solas de dois pés colidiram com força sobre o meu peito.
Perdendo tudo em mim pensei, “não sobreviverei a isso”.
Deitaram-me a borda da piscina, e o primeiro ar que consegui trazer foi só pra gritar,
“ Porque fez isso?”. Seu rosto sem face respondeu, “ Você também já fez isso”.
Cai em torpor sentindo os pelos ouriçando no frio de minha pele molhada.
Os pulmões exprimidos sob os ossos das costelas lutavam para estabelecer respiração, o coração esmagado compassava em dissonância 
“Não sobreviverei a isso!”
Exclamei com o que eu achei ser meu ultimo tormento.
Então meu pai debruçou-se sobre a minha face, com seus olhos verdes e sorriso debochado, me informou:
“Você só esta apaixonada.”




Imagem: Michael Parkes

O Pão da Carina

Carina tinha a vida assim milimetricamente cronometrada, colocava o despertador para as 6 e 3 da manhã, levantava depois dos dez minutos da tecla soneca. 7 e 15 saia de casa e caminhava cerca de 13 minutos até o metro Conceição, e guardado os atrasos, demorava mais cerca de 13 minutos até a estação Ana Rosa, onde pegava um ônibus até o escritório que trabalhava no Itaim.

Um dia como todos os outros, estava na sua rotina de ir, por volta das 7 e 41 em direção as escadas rolantes, quando notou Ele que se destacava na multidão. Uma visão que surgia em sua direção, tinha um ar sonolento e um leve sorriso no rosto, como se ele não estivesse ali, no meio do transito de pessoas correndo com os seus horários exíguos para suas vidas atarefadas. Ele simplesmente caminhava...

Carina passou a avistá-lo quase que diariamente, ela o via de longe, com o seu andar tranqüilo, os cabelos ainda molhados, denunciando que acabava de sair do banho. Ela imediatamente sorria, e confabulava “ele deve morar há uns 5, 6 minutos daqui”.

E assim ela começou a antecipar a situação, prevendo encontrá-lo, começou a controlar mais minuciosamente seus horários para não perder a oportunidade de vê-lo.
Quando o via chegava no trabalho contando pra todo mundo. Sempre bom ter alguma novidade logo pela manhã, algo sobre o que falar no início do dia que não fosse sobre a novela, o tempo, ou falar mal daquela pessoa de sempre.

Claro que ela logo inventou um apelido pra ele, as mulheres precisam disso, de um nome pra dar ao seu objeto de fantasia, fica mais fácil assim criar suas características, e personalidade imaginária.
Não como os homens que não são nada complexos, pra eles basta dizer. “ Aquela peituda do xérox” que ta tudo resolvido, ou “ a bunduda do 101” e assim por diante.
Não, as mulheres precisam de algo mais, algo que acompanhe toda a dimensão de sua mente cebola com suas camadas de universos a parte.

Então ela começou o chamar de Pão, porque ele vinha assim fresquinho saído do banho, ela quase que via fumacinhas exalando dele.

Carina chegava no trabalho e a primeira coisa que dizia era, “ ai gente vi o Pão hoje!” e as colegas pra estimular, ou provocar diziam “ e ai? E ai?” ela suspirava e respondia, “e ai que ele é lindo”.
Os homens do escritório comentavam entre eles, em meio as litros de café, “ essa ai ta precisando é de uma boa trepada”. Pelo menos ela ganhou um apelido mais inventivo quando era comentada na roda masculina “ a maluca do pão”.
As mulheres já eram mais presentes, umas até incentivam, “ Ai vai lá menina! Fala com ele.” Mas Carina se desesperava. “ Mas vou falar o que? Vem ser o Pão do meu café da manhã?!Quero ser a manteiga do seu pão?!”. Todas riam e a história ficava por isso mesmo.



Mas o pão virou obsessão, Carina passou a acordar mais cedo pra se arrumar pra ele. Logo descobriu que a forma de se vestir tinha que ser do tipo mais tático, como ele a via só por alguns segundos de passagem, ele colocava uma roupa e passava assim de lado correndo no espelho, a que mais marcava no movimento era a escolhida. Por isso começou a usar vermelho, lenços coloridos e saias esvoaçante.

Chegava mais cedo no metro e ficava esperando só pra o ver passar, se atrasava constantemente no trabalho, logo ela que era tão pontual.
“Mas o que esta acontecendo com você Carina? O que tanto viu nesse cara?”. As colegas se preocupavam. “Há! Ele caminha leve e sorrindo... Que homem assim caminha sorrindo?”

Um dia Carina tomou uma atitude. Resolveu não mais o esperar lá em baixo, subiu as escadas e o procurou do lado de fora do metro, um dois três dias e nada. Até que um dia...
Seu ar faltou, sua vista turvou, perdeu o chão o rumo o sentido, não sabia como agir com o que estava vendo.
Seu Pão, seu Pãozinho assim sendo devorado em plena rua, sem requinte na maior displicência na boca de uma qualquer.
E foi assim que Carina aprendeu que homem quando anda sorrindo é homem que está apaixonado.

Fustigador


Esta aí você a não me olhar?
Esta aí você que tanto me admirou, provocou
invocando em mim sentidos amontanhados sobre terras que ousei não mais caminhar.
Esta agora aí. que sei!
E sei também, que não se interessas mais sobre meu ventre poetar.
Ostentou-me em imagem divulgo-me em musa,
apagou-me em igual velocidade .
Imagino você aí. De sua cadeira. figura enevoada pela sua fumaça que me enjoava. Seu escudo. 
Me apertava em traumas latentes e protegia-se em resvalar de sentimentos.
Seu jeito elementar de tudo ser.
Fustigador em seu ser entediado e blaset.
Aduziu sem dó meus erros, ajudou em doação com o filho que eu carregava.
Me tocou de ponta ao fim. E foi assim.

O primeiro amor Platônico


Tava lendo diários antigos e lembrei do meu primeiro amor platônico, na verdade não sei se esse foi o primeiro, porque desde o prézinho que eu gostava dos meninos. Lembro que tinha 6 na minha classe, um era o meu namoradinho e os outros 5 eu declaradamente falava que gostava, até do Alexandre que era gordinho e um dia jogou areia no meu olho.
Lembro que na sexta série tinha uma professora de ciências a Elza, ela dizia que eu tinha  hormônios em turbilhões, porque só da minha sala eu gostava de 2 e ainda tinha, claro, aquele carinha da oitava série.
Não sei como era tudo tão declarado. Sei que a frase “Controle esses seus hormônios!” seguiu toda a minha adolescência.
Mas vamos ao ponto, porque ninguém lê postagem com mais de 20 linhas nos blogs ( eu não leio heheh).
Bom, como nas analises de fatos históricos, é definida uma data aproximada pra algum evento que não se tem precisão de período, eu vou escolher o Luiz como meu primeiro amor Platônico.

Conheci ele quando estava organizando um festival de bandas na minha escola, eu tinha 16 anos e achava que era A descolada. Ele era O estereotipo. Vocalista da primeira banda, das 15 que iam tocar. Uma banda de Reggae, ele estava de azul todo gato, sentado com o seu violãozinho no colo.
Miséria! O inicio da minha perdições por músicos ( superada depois que aprendi a tocar violão, não sei tocar direito mas me ajudou a me emancipar desses músicos).



 Conversamos e eu me apaixonei de cara, porque ele perguntou qual era o meu signo. Aiai!
 Não ficamos porque eu contei que já tinha beijado outro cara naquele dia. ( Um  cara que eu peguei só porque tinha  piercing na língua...)
Mas ele anotou o meu telefone, naquela época não tinha nda disso de internet ( ufaa!)
Ele me ligou umas 3 vezes, e seilá porque ficou por isso mesmo.
Mas ele ficou na minha cabeça como o homem ideal, eu chamava ele de azul, e escrevia quilos de poemas pensando nele, sofria, imaginava, suspirava... aaaaaiiiihhh

Cerca de um ano depois o vi  no palco de algum festival de rua, dessa vez era uma banda de Forró.
Nossa!! Gelei, quis chorar, vomitar , não sabia o que fazer, contei pras minhas amigas que o homem da minha vida tava no palco!
Aii meus hormônios! Nem respirava direito.Não conseguia imaginar o que fazer, suava, tremia... queria ir embora, queria me jogar no palco. As amigas todas em volta dando aquela força, e enquanto ele tocava fui me recompondo. Então acabou o show dele, esperei ele descer, e fui!
Lembro que ele ficou muito feliz em me ver e soltou um “ Estilosa como sempre” (  acho q perdi isso rrs ).
Enfim começamos a ficar. O foda que a banda dele tava ficando meio famosinha, e nossa, dava muito trabalho ficar com um cara daquele. Sempre cheio de shows, ensaios, menininhas no pé...
De qualquer forma, eu me considerava mega apaixonada por ele, fazia planos, suspirava escrevia sobre ele o dia todo, só falava dele...
Mas não sei bem porque cargas d´agua, um dia FIQUEI com o baterista da banda dele.  ?????!!!!!!
Da pra imaginar??!!! Tem que ser mesmo um amor de uma menina de 17 anos, pra fazer uma pataguada dessas!!
E assim ele se foi da minha vida, e eu ainda fiquei por muito tempo dedicando poemas a ele.

Fui atrás dele uns 10 anos depois disso, conversamos pelo msn, ele tinha acabado de terminar o casamento com uma menina que ele namorou desde daquela época mesmo. Hoje ele tem uma banda de Rock Pop que ta famosinha, e é meio Emo ( q ele não leia isso srrs).
 Iamos nos encontrar, mas um dia ele disse que samba era uma porcaria e... “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”...
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