contos curtos

Impaciente e cheia de si, acreditava estar sempre lhe dando com oponentes.
Até virar uma esquina e encontrar seu inimigo refletido em uma vitrine.

Cheiro Noir





Dos movimentos que se tornaram cotidianos, fizeram-se o passo da intimidade, compartilhando no armarinho do banheiro objetos que escamoteiam odores.

Mas ela não durara nem um frasco de desodorante.

Que por não ser um livro, objeto contundentemente requerido não importa a forma de término nos relacionamentos, ele permaneceu ali.
Para uso conveniente de novas visitas, ainda sem seus lugares no armário.

Mas a sua tampa rosa deixava um cheiro no ar
e  trazia a sutil denúncia de que os novos amores possuem passados.    

O poder das palavras

Nova postagem no blog VIDA YOGA


Quando arbitrariamente julgamos estarmos falando da boca pra fora, a palavra vem carregada de um fluxo continuo de energia desde o contexto de criação dessa palavra.
O instrumento primordial de toda a criação é o som. A palavra é a reverberação do som que vibra desde o primeiro momento a que foi pronunciada. mais...

Estáticismo

Digo aqui assim, sem pensar muito
sem me preocupar com estética que andam por ai querendo que me preocupe. Eu li um livro de 556 páginas outro dia, a Distinção. Conclusão: Estética é uma construção de distinção social ( mas provavelmente não sei do que estou falando)
só pra rimar mesmo...

Minha estética disléxica,
tento lembrar qual foi a palavra que usaram pra definir esse blog, algo não muito sutil, e um tanto desanimador...

São duas e pouco da manhã de uma sexta chuvosa, estou acabando finalmente a minha dissertação.
Como é engraçado, mandei de tantas maneiras qua as coisas se fodam, e no fim elas não se foderam e nem me foderam.

Só pra escrever um pouco de palavrão no meio de 158 paginas acadêmicas de minha vida

Sinto um gosto de liberdade e angustia escorrendo pelo canto da boca.
Com a liberdade vem as escolhas.
Ação depois de tanta inanição.

também me curo dessa anemia
muito barato se ao fim eu rimar tudo isso com alegria?

Imagem: D. Xavier

Sobre comida e vícios

“Compulsão por gordura funciona como vício em cocaína, diz estudo.”

Nova postagem no meu blog de >> YOGA

"Assim como o vício em drogas como cocaína, a compulsão por comidas gordurosas - como doces e frituras - é extremamente difícil de ser combatida. O estudo, realizado com camundongos, mostra que as partes do cérebro que lidam com o prazer deterioram-se gradualmente na medida em que o consumo vai aumentando.”

Anemia


                      

Ser sem dentro em agonia.
Nada posso pra fora expandir
Língua que prende amarrando a boca.
Nada posso de dentro surtir
Palidez que vertem os dias em apatia
                                                                                 
Fome que dói na garganta imperando inconsistência
Hematomas que aparecem por pouca delicadeza
angustia vazia de farta carência.
Nada mais tenho alem dessa fraqueza.

Vontade de enfiar a cara na terra,
devoro assim solidão Rebeca Buéndia.
O gelo, meu calcário de parede.
Banana verde amarrando a boca.
Sôfrego em avidez meu corpo se encerra.

Tépido sangue influi fino,
nada encontro que me sustente
sabor em senso nesse organismo mofino
branco opaco em fragmento pungente.

Débeis sentidos que me erguem cansada
Aceitei seu remédio semeador de cabeça
crença que vende amarrando a boca.
Sintético a espera que meu ser guarneça.
Nem percebo permitir direção errada

Espessa luz que não acalenta,
oco cultivo que desnutre em empenho.
Vermelho sem cor que não posso escoar,
se esvair  perderei o que já não tenho.
Vestígio que fere o que não me alimenta

2, 3, 4 ,5 amarrando a boca.

Supero


Por que eu não supero?
Meu corpo treme de febre, ardor dessa dor sem correspondência
meu estomago se revira a espera de um toque seu.
Que não vem, que não vem...
Por que eu ainda espero,
por que eu ainda quero?

Vem um vem outro eu me distraio, me deixo levar,
mas eu volto, vem e vai, e eu volto.
E espero um recado
e espero um dizer
que não vem, que não vem!

Meu corpo se embrulha nele mesmo buscando se encontrar
encontrar lá no fundo o que me acolhe.
Pra de novo eu não me ver,
nessa dor de ver mais uma te chamando de amor.
Que brega .
Por que isso me fere?

Você vem assim, na minha vida deixando todo seu rastro dentro. E vai solto, leve flutuando em outros ares.
Eu também quero flutuar
Mas vem um, vem outro
Eu não deixo nem me chamarem de meu bem
e já tem mais uma te chamando de amor.
E você não me deixou chamar de nada
você não me deixou te dizer nada!

Por que isso me interfere?

Esse eu não posto, não divulgo.
Eu escondo lá no meu fundo que ainda não superei
Eu escondo lá no meu fundo que te persigo em pensamentos
E que me afeto, e que me afeto.
E espero um toque seu, um contato...
Você não fica sozinho.


Imagem: Michael Parkes

Mes


Perguntaram a ele e assim foi o que ele disse, eu vivi o fato e ele fez em conto.

Descreva um encontro inesquecível.

( Aleph Davis)

Era um primeiro encontro, o meu último. Nem era para ser algo romântico, apesar da garota ser interessante. Nunca havíamos nos visto antes, mas nos abraçamos, para começar; e olhamos bem no olho um do outro. E gostei muito do que vi.

Metrô Consolação. Era segunda feira de Carnaval, uma tarde quente. Ela linda. De muitos sorrisos. Havia poesia ali.

Só havíamos conversado uma vez, na noite anterior, pela internet, sobre trabalho. Mas não sei como concordamos em nos encontrar pessoalmente e, o mais estranho, sabíamos que não seria para falar de trabalho.

Caminhamos um pouco à esmo, descontraídos, a flanar lado a lado, descendo e subindo a Rua Augusta. Conversávamos sorrindo, um pouco bobos. Paramos para tomar um chá gelado e conversar melhor, frente a frente.

Ao anoitecer fomos até o vão do MASP, onde as conversas ficaram mais sérias, profundas, um pouco confessionais e em têrmos e olhares cada vez mais íntimos. Inteligente ela. Nenhuma das nossas diferenças podia nos afastar, e a proximidade aumentava à medida que afundávamos nossos olhos na noite, olhos vívidos como nossos corações.

Caminhamos em direção ao Paraíso, e fomos parar no número 1000 da Rua Vergueiro, onde escalamos a rampa sobre a qual se expõe o logo do Centro Cultural. Sentados lá em cima, começamos a averiguar com as mãos as mãos um do outro, e logo o rosto e os cabelos. Abraçamo-nos intensa e demoradamente. Então nossas cabeças começaram a dançar juntas, tocando-se mutuamente, devagar, como o fazem dois animais carinhosos; as mãos entrelaçadas, os olhos fechados, e nossas antenas (cada poro) em fina sintonia, sinfonia. Tanto que ouvi fonemas e ela viu cores. O que mais e mais se intensificava, em nosso silêncio cúmplice. O beijo, o melhor do mundo, foi uma simples conseqüência, ato contínuo, poético; acariciávamos com lábios os lábios, a língua com a língua, numa delicada operação mágica, de conversão e amálgama, de reconhecimento e entrega.

Foi uma experiência descontrolada de respirar o momento, dádiva plena dos dois sermos um, de admissão dos sentidos, rito iniciático ao outro.

Eis como tudo começou... a amizade, a paixão e o amor. Estamos namorando desde então, e hoje faz um mês. Cada novo encontro nosso é sempre melhor do que o anterior, todos eles inesquecíveis.


Mais do autor:   http://naofiquesao.blogspot.com/




As placas do Exército

Encontrei outro dia uma placa do Exército que me trouxe um ensinamento tão profundo!
Contei aqui no meu outro blog,
da uma olhada lá.

http://fluiryoga.blogspot.com/2010/03/ensinamentos-das-placas.html

Namastê
AMIGOS !
por um tempo vcs me encontrarão somente no


www.dissertando.prazofinal.arrancandoscabelos.com

até
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