Um Yogue falando sobre a arte


Este belo texto do Professor Hermógenes, um grande sábio do yoga,  revela algo que eu sentia mas nunca consegui expressar, nem em pensamentos.


Mergulho na paz 
Hermógenes




"Um diagnóstico seguro é o melhor iní­cio do tratamento. Quando o médico chega, a saber, o de que o paciente está sofrendo, só então está em condições de agir terapeuticamente. Em resumo: primeiro o diagnóstico; depois os remédios.
Até mesmo o homem das ruas já diz, com razão: o mundo está doente!Só mesmo um otimista doido pode dizer que este é um mundo civilizado, livre, sadio, justo, honesto, tranqüilo, equilibrado, perfeito…
O diagnóstico está feito.Agora só falta o tratamento.

São tantos a diagnosticar que a segunda parte – o tratamento – está sendo esquecida.
A cada dia mais um diagnosticador se manifesta contra a hipocrisia da moral, contra a imoralidade da violência, da fome… contra a imoralidade de restringir a imoralidade. A cada dia, nos jornais, nas revistas, no rádio, na televisão, em todos os canais de comunicação, surgem novas formas de acusar os outros e de protestar. Nos teatros e cinemas, roteiristas, produtores, diretores, atores, exibidores, finalmente a maioria dos industriais da arte (???!!!), com a maior audácia, regurgitam críticas sobre o que o homem faz contra o mundo e o mundo contra o homem. Os palcos estão empenhados em dizer às multidões sadomasoquistas o quanto e como o homem é sórdido. E o fazem exibindo, escandalosamente, a própria sordidez. As telas e os ví­deos, os shows, os happeningsdisputam a atenção das platéias mórbidas, desejosas de ver cruamente sua própria morbidez. O romance, a pintura, a própria música, em expressão erótica e expansão caótica, atiram, às faces de todos, protestos, agressões, contestações… E, na generalidade, os homens pagam para ver essa deprimente autodiagnose. Todos esses bem pagos gênios do escândalo se esmeram em acentuar as sombras. Carregam nas cores do trágico. Avolumam os gritos da degradação. Abusam em ferir, em desmascarar, em agredir, em desmoralizar ainda mais.

Não é arte. Isso não é arte. É indústria usando máscara, a máscara da arte.

A máscara serve para reclamar a liberdade que a arte reclama e merece.Não haverá em cada “diagnosticador” um hipócrita?

Arrogantes, apenas apresentam aquilo que chamam de “a realidade humana”. Apenas impingem e agridem com um diagnóstico altamente suspeito. Não sentem – é claro – qualquer compromisso com o tratamento. Não trazem, nem desejam, qualquer esperança de solução. Não têm – e orgulhosamente o declaram – qualquer intenção de remediar o mal que denunciam. É lógico que assim procedam. Se seu negócio é vender carniça, sua ruí­na seria a pureza, a melhora, o progresso espiritual das multidões que deixassem de gostar da mercadoria. Sem caridade, atrozmente, cinicamente, declaram que só lhes interessa revolver o lamaçal. Faturam com a violência. Vendem escândalo.

Chega de tanto diagnóstico, isto é, de autodiagnóstico. Autodiagnóstico, sim, pois, segundo o filósofo, “quando João fala de Paulo, fico sabendo mais de João do que de Paulo”.

Chega de chamar de arte esse negócio de denúncia, que em realidade é um aliciamento dos incautos para aquilo que é objeto da denúncia.

Chega da hipocrisia de denunciar a hipocrisia.

É muito simples localizar um monturo. Basta seguir a mosca em seu vôo. Interessa-nos seguir o vôo da abelha em busca de pureza, luz, cores, trabalho, perfume, doçura
O que é mais fácil já está sendo eficazmente feito: demolir.

É preciso que apareçam alguns a revelar o lado divino do homem, mostrando uma esperança, apontando para uma luz, falando de uma solução, tentando mostrar que inferioridade e angústia são desafios necessários para uma realização evolutiva.
Mas como isso está parecendo difí­cil!

Que esperança posso ter de que minhas canções sejam ouvidas, se os decibéis da guerra e das guitarras já ensurdecem o mundo?
Que esperança posso ter de vender algum mel de minha colheita, se o vinho da sordidez agrada e alicia muito mais?
Que futuro pode ter aquele que oferece perfumes de singelas flores campestres a quem já está enlouquecido em fuga alucinógena?
Que esperar se não sei agradar com o agredir, que às multidões agrada?
Que resultado terá meu discurso se não fala do que as massas embrutecidas desejam escutar?

Apesar de tudo, não desisto.

Nisso, imitarei o Criador.
Ele é mesmo um otimista incorrigí­vel.
Ainda esperando que os homens o descubram, todas as noites, pontual e infatigavelmente, acende o imenso lampadário do céu.
Mas, Ele deve ter razão.

Sempre haverá um poeta distante, um mí­stico errante, um esteta enamorado olhando o céu, gozando o esplendor, fascinado pelas estrelas.

Vou fazer como Ele.

Continuarei cantando, falando, chamando, mesmo que o faça por fazer. Mas… sempre vou esperar que alguém me escute, me entenda, e venha comigo na estrada do Espí­rito, que é para todos nós.

Venha irmão, para um mergulho na Paz. "


Hermógenes Mergulho na Paz. Ed. Nova Era




Exílio



 Tava me preparando a dormir. O dia inteiro senti que queria escrever aqui... certa indulgência não me animava.




Tentei sem sentir forçado, passar o primeiro dia sem contato.

10 anos se passaram.

Guardo ainda um poema doído que naquele tempo me deixou... e sua rosa em papel sentido.
Eu guardo, não procurei mais, mas eu guardo.

Perdão.
Não amei,
e não contei.


Primeiro dia em que não nos falamos...um teste,
vai ser assim... distante em tato e voz,
a intimidade dentro de nós.

Recordo
Pé em gelo, sua mão firmava o cuidado, lábios no ombro, o toque do nariz perto da orelha.
um mesmo respirar
momentos
Intimidades mais íntimas que sexo.

Perdão
Amei
e não contei.




Sai ti saí





Tento inútil assimilar sentimentos que arrepiam solitários na pele,
todos os instantes passados ou não, compõe-me o presente.

O corpo, sem perguntar, sente e revive o que achou-se superado.
Nunca sabemos quais realmente foram as marcas que fincaram os momentos,
sem ciência de como, ou o que fazemos e deixamos 
irá compor cada célula de quem se é.
Nunca sabemos até onde, sendo conhecido ou não, nos afetará...

Um livro, uma vista, um sopro vindo de não sei onde...
E a angustia latejante de estômagos e pernas
não sabe-se de onde, como, pra onde...

Mas nada disso pode ser escoados em palavras,
Sentimentos não existem em palavras.

Os sábios sabem, e como sabem. Por isso se mantêm calados...

Eu nada sei e anseio,
por isso parece doer,
dói de boca em boca,
de estomago em pêlo,
de mãos desconhecidas a atos perdidos,
estiveram em mim estarão...

Nada posso dizer, deveria me calar
o sábio não ensina, vivência... 




Imagem: André Arment



 A morbidez da morte esta nos olhos de quem fica



Imagem: Irina Ionesco


 Madrugadas...
O sabor adocicado vira sumo por entre os dedos.









Imagem Vladimi Kush

Pra ti que vive a trocar de nome

 
Será por ego,

 por puro apego ?
  
Que te visito em olhos
na vaidade dançante de  mimo musa.

 E continuo sem saber que versos seus
 que são meus.













Imagem : Frank Cadogan Cowper

" O MEU CORPO ME PERTENCE"

As considerações sobre o aborto além de serem questão de saúde pública, tem a ver com o controle do Estado sobre o seu corpo e sua individualidade. A criminalização do aborto parte da premissa de que uma mulher não tem condições de controlar a sua vida, e seu corpo individualmente, por isso o Estado precisa intervir já que julga a mulher incapaz de ter a compreensão dos valores de suas atitudes.
A discussão também é sobre o conceito do que é vida, como o Estado é laico a questão do que se considera vida não deve ser pautada na noção religiosa.
Na linha religiosa que eu sigo, a vida acontece desde o primeiro dia da concepeção. Eu não faria um aborto, ASSIM COMO EU NÃO COMO CARNE. Mas essa é uma concepção individual minha, que parte da minha consciência religiosa e filosófica.
E nessa mesma questão de VIDA defendo a descriminalização do aborto. Chega de hipocrisia! Milhares de mulheres estão morrendo por conta de abortos clandestinos. E não vai fazer diferença nenhuma se VOCÊ achar que pode decidir por alguém, negando o direito de uma pessoa ter a liberdade de suas decisões.

O ABORTO É UM DIREITO DE LIBERDADE!!


Pela legalização do aborto no Brasil!

Ao pé do ouvido



 Ele dizia que gostava dela porque ela era espontânea e não escondia os sentimentos...
ela já não o ouvia mais
estava pensando em como é fácil expressar sentimentos que não são profundamente sinceros.



Imagem : Kira Shaimanova


Sumi

Tenho andado assim tantos quilômetros por dia 
                tão parada.

Vejo tantos rostos e expectativas.

                As pessoas me ouvem,

eu ganho pra isso.

               As pessoas me ouvem,  me vêm
                      me obedecem.
Eu ganho.

                Mesmo quando eu não quero nada pra mostrar e dizer.
  Eu continuo ganhando.
                                     
Tenho andado assim parada tantos quilômetros e rostos por dias.
                                Eu continuo me perdendo.







Relação virtual






Encontraram-se
e não foi um acaso da vida, a vida esta muito corrida e as pessoas enferrujadas pra se deixarem levar ao acaso.
Encontraram-se porque procuravam. E como procuravam...
Perdidos em horas navegadas, os olhos agitados de páginas à páginas,
navegantes, um tanto quanto entusiastas dos meios.
Sentiam em pele, a dor do frio virtual que secava a quem dia a dia se faz sensível.

Tanto assim que se deixaram
tanto assim que as letras mal digitadas da velocidade da conversa, subiam e subiam
Horas a fio...

O pulso doía, a luz lá fora caminhava  ofuscada pela intermitência da luz quadrada, não percebiam, não sentiam o movimento da vida que vai,
o gato espreguiça, passeia pela ração
a perua buzina lá fora trazendo crianças sujas e famintas,
o elevador que sobe, desce...
As letras, as letras, os sorrisos e risadas das conversas dedilhadas,
Risadas dedilhadas .

Então se encontraram
no mesmo instante se amaram, precisavam se amar, pois enfim se encontraram.

Conversaram  como que velhos conhecidos, mas sem saber ser confortáveis e espontâneos quando na intimidade de seus teclados...
O papo se perdia, quase não tinham como se apresentar, já estava tudo dito em suas páginas em face, e seus dias expressos em carácteres, acompanhados e comentados.

Tudo resumido, assim dito por dito, restava o toque...
E se permitiram rapidamente a ele. Talvez por puro medo, de que aquele silêncio expresso no contato dimensional, os afastasse definitivamente da felicidade de olhar a janelinha subindo com o dizer, “acabou de entrar”.

O toque de corpo foi um misto de surpresa e revelação na constatação do auto-engano.
Realmente não se conheciam, definitivamente dois estranhos estavam ali.
Mas valia, valia tudo o que sentiam quando visitavam os blogs afoitos por novidades deixadas em formas poesias.

Duas @@ juntas agora, comentariam em seus caracteres, @namora@, receberiam RTs de felicitações, dos amigos em comum de todo o canto do país, cidades e cidades do mundo, duas @, quem sabe um dia @binhas viriam...

Nos outros dias cada um em seu trabalho, prosearam pelas links virtuais o decorrer do dia, Facebook, bate papo do Gmail, msn, Skipe... os dois estavam em todas as contas um do outro.

Chegavam em casa e antes de qualquer coisa, de ascender a luz, acariciar o cachorro, lavar as mãos... Iam direto ligando o computador... E vai quase um minuto de interminável espera até a conexão em fim.

“ poxa, estamos conversando aqui, mas podíamos ter nos encontrado hoje né?”
“ Ah, mas acordo cedo amanhã”
Dois pontos abre parentes.
“ Mas já são quase uma e você ta aqui...”
Erre esse erre esse.




 Não tinham percebido até então que a relação poderia ir por caminhos mais livres, sem o intermédio de uma face brilhante.

Um dia ele tinha uma reunião o dia todo. Avisou no TT via celular. Ela estava então uma tarde toda sozinha... Começou a vasculhar sua vida, os 4573 recados no Orkut, o mural do facebook foi até onde podia, começou a ler os quase 6,000 twettes, e até as 289 respostas no famigerado formspring.

Ela sentia que podia fazer isso, nada dele sabia, e ademais esta tudo lá, o pessoal no público. Ela era o seu público agora.
Ela tentava traçar linhas de conexões, recados mais ousados como, “saudades”  procurava até onde podia pra saber mais de onde vinha.
“Saco, hoje em dia todo mundo bloqueia tudo...”

Uma rotina mais palpável começou a se fazer, telefonemas tornaram-se mais significativos que letras que subiam.
Entravam invisível no msn a fim de não perderem tempo com os papos insignicativos de agora sentidos falsos conhecidos.
As pessoas comentavam publicamente, cadê @ tal que sumiu.

Foram assim, por puro excesso de rotina de sua união, afastando-se do que um dia foi mais real. dedicando-se agora à um mundo onde se sente os passos do pé no chão.

Claro que ele ainda falava com @anamineira, e ela mantinha contatos com @papopoeta, mas menos, bem menos...

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